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Blogs, uma moda que veio para ficar  (Em foco) Inserido Wednesday 31 January 2007 19:01

Apesar das ausências verificadas no painel de convidados, os blogers do encontro que decorreu quinta e sexta-feira em Braga acenderam algumas luzes importantes para perceber o fenómeno que só este ano chegou em força a Portugal.

José Mário Silva (Blog de esquerda), José Pacheco Pereira (Abrupto) e Francisco Amaral (Íntima Fracção), que compunham grande parte do painel do segundo dia, não puderam, por diversos motivos, deslocar-se a Braga.

Da intervenção do espanhol José Luís Orihuela (e-cuaderno) fica um conceito curioso: se Guttemberg tivesse nascido hoje, em vez da imprensa teria inventado os blogs.

Contra a ideia de que os blogs são apenas uma moda, Orihuela afirma que «a natureza da web e dos weblogs resulta numa publicação à escala mundial sem editores, mas ancorada num processo diário de 'revisão pelos pares' e de comentários de leitores».

Ou seja, o blog criou um novo conceito de comunicação. Dá ao seu autor a possibilidade de partilhar ideias - boas ou más, reais ou imaginárias - com os milhões de potencial cibernautas que circulam pela net. Na blogosfera, não há editores, nem chefes de redacção, nem critérios jornalísticos a cumprir. É pensar, escrever e publicar.

Simples, mas não para todos

Criar um blog é quase tão simples como abrir uma conta de email na internet. Basta aceder a um dos muitos servidores que fornecem blogs - como o português weblog.com.pt, o norte-americano new.blogger.com, ou o brasileiro webloger.terra.com.br, para mencionar apenas alguns - escolher username e password e seguir as instruções fornecidas.

Um processo, aparentemente democrático e acessível a qualquer um, não fosse o problema da infoexclusão, como salientou António Granado (Ponto Media), a quem calhou a tarefa de dissertar sobre o panorama da blogosfera nacional.

É importante não esquecer que este maravilhoso mundo da publicação em tempo quase real, «ainda é um fenómeno de info-ricos», sublinhou o jornalista do «Público».

De facto, percorrendo alguns dos blogs mais acedidos no nosso país, percebemos que esta nova forma de publicação está confinada a uma elite. A possibilidade de editar e publicar informação para o (cada vez mais) vasto público da internet, seduziu não só aqueles que nunca se tinham dirigido às massas mas também alguns «famosos» com acesso directo aos meios de comunicação.

Embora não tenha podido deslocar-se a Braga, Francisco Amaral explica no site do encontro que o blog Íntima Fracção «surgiu porque o programa (de rádio) entrou no 20 º ano de emissões e (...) era altura de contar histórias que não cabiam na estética» da rádio.

Quando os blogs são notícia

O eurodeputado do PSD Pacheco Pereira, que tem uma coluna de opinião no «Público» e participava no programa Flashback da TSF (com o socialista José Magalhães), mantém o blog Abrupto desde Maio.

Esta semana, no Abrupto, Pacheco Pereira comparou Paulo Portas a Le Pen , por causa do discurso que fez sobre imigração na rentreé do CDS-PP.

O porta-voz dos democratas cristãos, António Pires de Lima, não gostou e respondeu a Pacheco Pereira classificando os seus comentários como «disparates». A «guerrilha» continuou e acabou por saltar para as páginas dos jornais.

O Gato Fedorento - mantido por Tiago Dores, Ricardo Araújo Pereira e Zé Digo Quintela, das Produções Fictícias - foi ainda mais longe. Não só foi notícia nas páginas dos jornais, como vai ser transformado num programa de televisão.

Miguel Esteves Cardoso e Francisco José Viegas são outras personalidades que conquistaram um cantinho da imensa rede que é a internet.

Fama anónima

Muitos blogs são conhecidos porque os seus autores são famosos. Mas também há blogs de autores anónimos que atingiram ao estrelato. Apesar da pouca credibilidade, já que a fonte não pode ser confirmada, estes blogs atraem centenas de visitas diariamente, e claro, a atenção da imprensa.

É o caso do blog Muito Mentiroso. O autor desta página aproveita a total liberdade de expressão oferecida pela net para «libertar» «informações» (?) polémicas sobre o processo Casa Pia.

Quinta-feira, a SIC Noticias divulgou uma entrevista feita através de email ao suposto autor da página. Desde que foi criado, o Muito Mentiroso registou quase 200 mil acessos.

O Meu Pipi é outro exemplo de fama anónima. O blog alcançou um enorme sucesso com as crónicas «a pisar o risco do mau gosto», como o próprio autor afirma. O «Expresso» dedicou-lhe uma reportagem que inclui uma entrevista ao homem por trás da página, sem nunca revelar a verdadeira identidade do autor.

Por tudo isto, parece que os blogs vieram para ficar, com toda a sua diversidade. Cabe então ao leitor distinguir o trigo do joio e escolher o blog que mais lhe convém, para entreter, informar, ou desinformar.

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